sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
O Cesar Passarinho não morreu!
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Respeito - Leandro Araujo
Ao contrário do que muita gente pensa, os homens que viviam no campo, mesmo nos recantos mais distantes da civilização urbana, sempre foram muito vaidosos. Não a vaidade baseada no consumo ou padrões de beleza como vemos nas comunidades cuja mídia dita as maneiras de vestir e andar, mas uma vaidade relacionada ao meio em que o homem estava inserido e as ferramentas que facilitavam a interação com este meio.
Era vaidade temperada com orgulho. Era a faca que cortava mais, um artefato de couro bem acabado, o cavalo mais rápido, a arma de melhor pontaria, um enxame de abelhas que deu mais mel, o maior peixe pescado em uma pescaria ou outras coisas que para nós hoje não tem significado algum, mas que nos tempos do vô Cungo tinham uma importância cabal.
Sempre via os olhos do vô brilharem quando contava a respeito daquilo que lhe davam orgulho, que o deixava maior ou melhor diante dos amigos ou das comunidades onde estava. Dentre estes “mimos” houve muitos cachorros. Bons de caça ou para a lida do gado, era com uma alegria de guri que contava de casos onde um cachorro afundava no rio agarrado a um capincho e só voltava à tona com o bicho junto. Quantos cães ele teve que valiam mais que uma pessoa no trabalho com a pecuária, ou então que eram apenas bons companheiros para camperear ou para tomar mate no galpão. Dentre tantos animais fantásticos, tinha um que lhe embaçava os olhos sempre que contava de suas proezas. O nome do cão: Respeito.
Respeito foi um dos cachorros que mais tempo acompanhou o vô Cungo. Era tão bom que outras pessoas que viviam no interior de Alegrete costumavam mandar seus cães para ficar alguns dias com ele para aprender a caçar ou lidar com o gado com a mesma eficiência e maestria. Caçava tatus e capinchos como nenhum outro cachorro nas redondezas. Brigava com um “mão-pelada” de igual para igual e, por mais de uma vez, alertou o vô a respeito de cobras venenosas que estavam pelo caminho ou em volta da casa.
Na lida campeira agia tal qual um peão experiente. Na mangueira apartava o gado com apenas um comando de voz. Tropeando, não precisava nem mandar quando uma rês se desgarrava, tratava logo de trazê-la de volta à tropa.
Parceiro de todas as horas, jamais latira para criança nenhuma, muito pelo contrário, era bastante paciente com a gurizada. Costumava deitar em silêncio durante a hora do chimarrão, e à noite era um sentinela vigilante, sempre atento a movimentos estranhos ou ataques dos sorros, os quais já havia matado três que vieram roubar galinhas durante a madrugada.
Resumindo, podia-se dizer que Respeito era a personificação da lealdade de um cão com seu dono.
No entanto, quem vive no campo sabe que convivência entre homens e animais é delimitada por uma tênue linha, que muitas vezes pode se partir sob a menor tensão. Os animais campeiros são funcionais, sejam cavalos, bois ou cachorros. A submissão é necessária, pois muitas vezes há necessidade de algo que vá além da confiança, pois a produtividade do pequeno produtor é essencialmente de subsistência, e qualquer quebra da ordem natural pode representar um prejuízo à família. A relação homem X bicho jamais se sobrepõe ao interesse da estabilidade familiar. Existem casos extremos de histórias de pessoas que tiveram que sacrificar animais de estima para que seus entes pudessem se alimentar, ou então que mataram animais de casa porque estes estavam representando algum risco à integridade das pessoas próximas.
A história do cão chamado de Respeito não termina da forma mais bela, e aqui talvez não caiba julgamento sobre o que seria certo ou errado em seu desenlace, mas uma reflexão a respeito do rígido código de moral e ética que compunha a formação destes homens, mulheres e crianças que viviam em um universo completamente alheio ao que vivemos hoje em dia.
Continuando a história, é de conhecimento de todos que no interior as pessoas têm o costume de “sestear” à tarde, logo após o almoço. Hábito esse que faz parte da cultura destas pessoas desde que existe campo. Visto que depois da sesteada daquele dia o vô Cungo não enxergou o Respeito nas proximidades da casa, logo pairou uma desconfiança no velho campeiro. Nos quatro dias seguintes o fato se repetiu; durante a sesta o Respeito desaparecia, e voltava a reaparecer horas depois. Chegava de cabeça baixa, com o rabo entre as pernas, se enfurnava no galpão e lá ficava como que se escondendo após ter cometido um erro imperdoável.
Vô Cungo não teve dúvida, e naquela sexta-feira chuvisquenta de agosto ficou observando de longe seu cachorro, e seguiu-o discretamente para ver qual o destino de suas fugas diárias. Viu-o entrar em uma grota que ficava há uma centena de metros da casa e mansamente enfurnou-se naquele pequeno universo formado por sombras e verdes. Os olhos do Cungo encheram-se de horror quando viu a cena: embaixo de uma aroeira, Respeito estava envolto em um cenário de sangue, lã e restos de cordeiros recém mortos.
Fantástico texto escrito e gentilmente cedido por Leandro Araujo, publicado anteriormente no blog do autor:
http://blogdoleandro.arteblog.com.br/184985/Respeito/
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Cancioneiro das Coxilhas
Oh de casa! Oh de casa!
Quanta alegria se sente
Quando alguém nos recebe!...
Assim, em uma tarde destas de sol, chegamos na Capital para uma visita há muito esperada e que muito engrandece este jornal. Na porta à nos receber: Neura Bertussi! Uma dos oito filhos de Honeyde Bertussi, um ícone da música e da história deste Estado!
Era uma vez, lá no Rincão da Mulada... bem poderia começar assim esta história, devido a grandiosidade e aos encantos que encerra! A Criúva, na época interior de São Francisco de Paula, hoje de Caxias do Sul, viu nascer e se forjar os “Cancioneiros das coxilhas”, denominação que apresentou Honeyde Bertussi ao Brasil e em seguida a dupla “Irmãos Bertussi”, a primeira dupla de acordeonistas do país, com Honeyde e seu irmão Adelar Bertussi.
Tentamos nesta tarde histórica reviver momentos pitorescos da trajetória Bertussi, momentos ímpares, fatos memoráveis do homem Honeyde Bertussi e não do artista. Tentamos, porém sem grande sucesso! Separar a história pessoal do Honeyde de sua arte é uma tarefa praticamente impossível para nós!
Autodidata, encantado pelo acordeon desde guri, construiu assim sua ilustre trajetória na música. Da música ergueu sua família. De sua desendência, oito filhos, todos “formados”, algo que para ele era motivo de orgulho. Até mesmo o irmão Adelar foi influenciado a estudar. Em uma época onde usar bombacha era “grosseria”, ele pensava que ao menos tendo um “diploma” poderiam ajudar a desmanchar esta imagem.
Além de Adelar, Honeyde também fez dupla com seu filho Daltro, formando a dupla “Os Bertussi”, nome mais tarde adotado por Adelar e que segue até hoje, com Gilnei Bertussi, filho de Adelar.
Perfeccionista e estudioso, levava a gaita e a música com extrema seriedade, bem como sua apresentação pessoal e de seus acompanhantes, todos que os cercavam eram “impulsionados”, estimulados a estudar música a fundo, a entender a música, na prática e na teoria!
Nesta busca incessante pela perfeição, criaram o estilo “Bertussi” da música gaúcha, a música serrana, uma marca, uma identidade, um “toque” inconfundível mesmo para gerações mais novas que não puderam acompanhar de perto o seu trabalho!
Honeyde sabia da responsabilidade que carregava pela valorização das nossas verdadeiras raízes e pelo fortalecimento do tradicionalismo gaúcho! Com sua música autêntica, “Os Bertussi” adentraram o Brasil, divulgando nossa arte. Foram shows no Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus e diversos outros locais deste imenso país.
O sucesso total de sua discografia veio pelo esforço que dedicaram a música! Sem nunca ser “comercial”, a preocupação era acima de tudo com a perfeição e com autenticidade. Com ritmos e sotaque gaúchos, teve o prazer de ver seus discos rodando até mesmo em rádio do exterior!
E pensar que toda esta trajetória começou lá na Mulada, com a Banda do Seu Fioravante, pai de Honeyde e Adelar. A família sempre foi ligada a música. Aos dezoito anos Honeyde decide vender alguns bois e investir em uma gaita. A família não achava isso “nenhuma maravilha”, visto que a música nem era considerada uma profissão de grande prestigio na época.
Em poucos meses Honeyde já esta animando o primeiro baile de sua carreira. A orquestra que iria animar uma festa em São Jorge da Mulada foi impedida de chegar devido a uma chuvarada que encheu o rio da Mulada, isso em 1942, tiraram o Honeyde da cama para dar um jeito de animar a festa pois o “povo” já estava reunido! E lá se foram, Honeyde e o irmão Valmor, gaita de boca, violão, chocalho e acordeom, foi um sucesso!
Assim como este, outros bailes de “cinema” foram acontecendo em sua carreira. Compromissado com o público, não aceitava que qualquer obstáculo o impedisse de comparecer a um compromisso e animar um baile, nem que para isso fosse preciso bater de porta em porta na vizinhança para pedir lampiões emprestados e tocar um baile bem no meio do salão, afinal, não ia perder uma festa destas só porque faltou luz!
Como tudo na vida não são só alegrias, também ocorreram fatos que o marcaram com tristeza, como um baile que foram contratados para animar no interior do estado e lá encontraram o salão dividido ao meio, do lado direto os brancos, do lado esquerdo, os negros, e no meio, lá no palco Os Bertussi. Com o compromisso de animar a festa mas contrariado “como gato a cabresto” com aquela “divisão”. Tristes e indignados com o fato que ali assistiam e que também dividia suas mentes! Para que lado olhar? Para quem tocar? Quem merece mais atenção? Em fim, por que dividir se somos todos irmãos?
E lá se foi a nossa fantástica e histórica tarde!
- Essa vocês não podem deixar de escutar! (era a musica Novidade Velha)
- Só mais esta! Está é o “Rei do Chotes”, papai dizia!
Assim vieram mais umas quantas música e a Neura não nos deixava ir embora. Que orgulho e que brilho ela carregava nos olhos ao falar dos feitos de “Os Bertussi” e principalmente do “papai” Honeyde!
Assunto? Este tínhamos para mais umas quantas edições do Jornal da Querência, mas nosso tempo era curto, e apesar da fantástica recepção que tivemos, fomos nos dirigindo a porta, e ainda escutando algumas daquelas história “encantadas”!
Não há como não querer voltar lá e compartilhar mais um chá daqueles, recheado de tantas histórias!
Obrigado “Tia Neura” (que assim me permito chamá-la) e seu esposo Danilo Todeschini pela fantástica tarde que tivemos!
Henrique Noronha
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O cavalo e o Gaúcho
“... E eu me orgulho – vos digo com franqueza,
Pois quem não sente orgulho pelo pingo
Não nasceu nestes pagos, com certeza!”
(Vargas Neto)
Não há história neste Estado, que não se fale em cavalo! Mouros, Zainos, ou Rosilhos, em cada capítulo, há sempre um gaúcho a Cavalo!
O Gaúcho a pé, é um assunto “moderno”. Aconteceu com chegada dos Imigrantes, principalmente Italianos e Alemães, povos ligados a terra, lavoureiros de procedência. Não menos gaúchos, nem menos importantes, pelo contrário, em quanto as guerras se faziam em lanças e cargas de cavalarias, eles abasteciam os celeiros na guerra do dia a dia com enxadas e carretas!
Não se sabe bem ao certo como o cavalo chegou por aqui! Fernando O. Assunção, no livro El Gaucho, cita um documento do dia 23 de maio de 1493, em Barcelona, em que os Reis Católicos Isabel e Fernando, ordenam a D. Pedro de Mendoza, o envio de 25 Cavalos e Cavaleiros para a América, e ainda cinco cavalgaduras de reserva, e que estas cinco sejam éguas.
Em 1768, quando os jesuítas foram expulsos, só na região das Missões existia perto de duzentos mil cavalos, mesmo depois dos rebanhos terem sido saqueados pelos índios infiéis que iam até as proximidades dos “Povos” fazer grandes arrebanhamentos para vender aos portugueses. Esta enorme quantidade de cavalos não se explica apenas com estes 30 cavalos trazidos por D. Pedro de Mendoza, visto que as éguas dão apenas uma cria por ano, e destes trinta cavalos, provavelmente apenas os 5 reservas eram éguas, pois para as Cavalarias, se preferiam os Garanhões!
O mesmo Fernando O. Assunção cita que este crescimento populacional exponencial, teve a participação de índios chilenos que trouxeram cavalos “transandinos” dos vales andinos, também de origem Espanhola, e que estes se multiplicaram nas planícies da Pampa Gaucha (Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul).
Se não sabemos como chegaram ao certo, ao menos imaginamos como se desenvolveram! Vastas planícies, campo de sobra para as manadas em desenvolvimento, para com o auxilio da Natureza, forjar o sangue rude e guapo dos Crioulos gaúchos de pura cepa Riograndense, como os “Mouros de Ferro” de D. Martins, alusão aos cavalos “Marca de fisga” das Cabanhas Cinco Salsos de Bagé e Aceguá e La Invernada, do Uruguai, onde predominam as pelagens Moura e Rosilha, e em sua principal característica, a Resistência interminável!
Lá por 1600, aproximadamente, me parece que alguns índios já começavam a desenvolver técnicas para amansar e domar estes cavalos, então “selvagens” para as suas montarias, já que o conflito com os colonizadores era inevitável! Hoje muito se fala em doma racional, “encantadores de cavalos”, açúcar no lugar do chicote, mas os índios já nesta época entendiam de tudo isso!
Domavam de acordo com a natureza de cada individuo, sem bocal nem rédeas, o comando era dado apenas com as pernas e alguns sinais sonoros. O cavalo do índio da Pampa Gaucha, aprendia a galopear boleado (maneado por boleadeiras), galopear com a cabeça tapada, galopear em campos acidentados, banhados, charcos e tacurus, bem como cruzar rio cheio com o índio agarrado a cola, saltar obstáculos ou mesmo permanecer imóvel, por horas a fio, aguardando momento certo para alguma ação!
Talvez daí trazemos esta ligação com o cavalo! Não há povo mais identificado com a figura do Centauro, que o Gaúcho! Nascemos, crescemos e desaparecemos a Cavalo. Ah! Vida perfeita! Arrisco até dizer que por aqui, o cachorro é o segundo melhor amigo do homem, por que o primeiro há de ser o cavalo! Ao menos do homem gaúcho!
O Poeta Guilherme Schultz Filho, em seus versos “Retrato da alma Gaúcha”, expressou de melhor maneira impossível, a importância do cavalo em cada fase da vida do Gaúcho:
“...Em cada ronda da vida
eu tive um pingo de lei...”
Quando ele era menino, além de uma egüinha bragada da cor da alvorada, tinha um peticinho faceiro, overo, com o nome de Fantasia - o alimento de toda criança.
Quando moço:
“Era um ruano - ouro nas crinas!
festejado pelas chinas
que o chamavam “Sedutor”
Já adulto, escolheu um bagual “mouro fanfarrão”, que refletia a sua alma indomável:
“O meu cavalo de guerra, chamava-se "Liberdade"!
Chomico! Quanta saudade, me alvorota o coração!
Era um mouro fanfarrão, crioulo da própria marca
e eu ia como um monarca, na testa do esquadrão”.
Depois, com o passar dos anos, a experiência da velhice lhe fez escolher um picaço bom de trote:
”O cavalo que eu encilho
nesta quadra da existência,
dei-lhe o nome de - “Experiência”.
E o poeta encerra com os seguintes versos:
“E, assim, vou descambando. ao tranco e sem escarcéu...
Sempre tapeado o chapéu, por orgulho de gaúcho
e se Deus me permite o luxo, entro a cavalo no céu!”
O cavalo nos dá assunto pra escrever um jornal inteiro! Mas por que não deixar assuntos para as próximas edições?
Para encerrar, um verso do maior poeta gaucho!
... Tenho certeza no pealo / e laço de toda trança.
Desde os tempos de criança / sempre andei bem a cavalo,
Cacho atado a Cantagalo, / bem sentado no lombilho,
Isso vem de pai pra filho, / é balda da nossa gente
E sempre fui exigente / pra cavalhada que encilho!”
(Jayme Caetano Braun)
Henrique R. Noronha
Médico Veterinário
henriquenoronha@pop.com.br
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Viva a República Rio Grandense!
- Camaradas! Gritemos pela primeira vez: Viva a República Rio Grandense! Viva a Independência!
Assim gritou Antonio de Souza Neto, o General Neto! Um dos mais brilhantes personagens do Decênio heróico Gaúcho. Já era 11 de setembro de 1836, quase por completar um ano da tomada de Porto Alegre pelos Farroupilhas comandados por Bento Gonçalves.
O General Neto inspirou e ainda inspira lendas e histórias diversas no imaginário gaúcho! Homem do cavalo, criador e exímio cavaleiro, audaz, e insurgente durante toda sua vida! Homem de extrema coragem, pelejou junto aos seus comandados, com a mesma bravura que impunha aos seus “Lanceiros”. Um líder nato, compreendia como ninguém, seus soldados pois circulavam entre eles com a mesma empatia que circulava entre os demais oficiais líderes da Revolução!
Agora estamos nós, praticamente 170 anos depois da Revolução, comemorando os “Heróicos feitos Gaúchos”. Tomados de orgulho, e não haveria por que ser diferente. Adentramos as mais importantes avenidas, nas mais diversas cidades deste Estado! Bem montados, cavalos gordos e encilhados a capricho, do couro ao ouro, arreios de Patrão!
Lenços, predominantemente vermelhos, a cor da Revolução! A melhor bombacha (embora este traje não seja típico do gaúcho no período da Revolução). Botas de couro, laço nos tentos, faca a cinta! Que entono e que garbo carregamos! Quem de nós não se sente, ao menos neste dia, um General Farroupilha?
Pois bem “Camaradas”, este “brio” é que nos faz diferentes! Nem mais, nem menos que ninguém, apenas diferentes!
Misturas de sangue e pelo! Moldados no barro dos mangueirões de pedra ou forjados a ferro e fogo! Origem portuguesa e espanhola somada aos índios e negros. Brigas de posse dos dois lados! Ora gaúchos, ora “gauchos”! Falando um dialeto único, a quem chamamos “português”, mas repleto de expressões idiomáticas oriundas do espanhol. Estes somos nós!
Com certeza muitos já se perguntaram: onde estarão estes gaúchos de antanho? Haverá outro Souza Neto? Quem sabe um Corte Real ou Marcílio Dias? Bueno Camaradas, respeitando-se as devidas proporções, estes somos nós nos dias de hoje!
Talvez menos valentes, afinal, as armas, diversas vezes são muito bem substituídas pelas palavras e pelas ações pacíficas!
Estas ações de que falo, são nosso modo de pensar e agir perante tudo que nos é apresentado! Novos escândalos políticos em todas as instâncias diariamente, desrespeito com o próximo (nós mesmos), e conseqüentemente, desrespeito com as nossas origens, nossas tradições e costumes!
Há quem diga que o Tradicionalismo “está na moda”. E isto me preocupa! Quando alguém, que neste momento não me recordo o nome disse, “Canta a tua aldeia, e serás universal!” disse uma enorme verdade! Somos em cada centro cultural, em cada piquete, em cada agremiação, uma pequena aldeia, que se soma a diversas outras, dando forma, corpo e sentidos ao Movimento Tradicionalista, não o Movimento como entidade sócio-cultural, mas como movimento de um grupo de indivíduos com anseios afins.
Aproveitemos este momento para refletir sobre os rumos que estamos dando ao tradicionalismo, ou ao “gauchismo” como alguns preferem dizer! Esqueçam, ao menos neste momento, as ferrenhas disputas por troféus um até mesmo por “plata”.
Pois bem “Camaradas” – pensemos agora, antes que seja tarde, sobre o que estamos construindo pelo nosso movimento, pela nossa história, e pelo nosso patrimônio cultural!
Sem radicalismos ou extremismos, pois estes são tão maléficos ao movimento, quanto o seu oposto, mas com conhecimento, com pesquisas sérias, com a valorização daqueles que tanto lutaram e ainda lutam (às vezes em silêncio), por um Movimento mais aguerrido, mais sólido, e mais leal a dimensão da História Gaúcha!
Henrique Noronha
Médico Veterinário
henriquenoronha@pop.com.br
Apoio: Pampa Produtos Veterinários Ltda.
ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL DA QUERÊNCIA, QUARTA EDIÇÃO. SETEMBRO/2009.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
FREIO DE OURO – HISTÓRIA, CULTURA E ESPORTE
“Era um pingo!” Assim, só assim, Don Vilson Charlat Souza, define Itaí Tupambaé. Nascido em setembro de 77, em 83, antes de fechar três anos, O PRIMEIRO CAMPEÃO DO FREIO DE OURO.
Em 1932 é fundada a Associação de Criadores de Cavalos Crioulos (ACCC) e Bagé, hoje chamada Associação Brasileira de criadores de Cavaloes Crioulos (ABCCC) sediada em Pelotas. Nesta ocasião começa a se formar o standard racial do Cavalo Crioulo, hoje símbolo do Rio Grande do Sul. As exposições de animais da época mostravam cavalos pesados, gordos, onde a aparência dominava o espírito da competição. As provas funcionais eram deixadas para as carreiradas de fim de semana, festas campeiras, provas de 21 dias (doma de 21 dias).
Em 1971, o chileno La Invernada Aniversário, durante a Exposição de Palermo na Argentina, é vendido para o Brasil, marcando um novo panorama na raça Crioula, trazendo um sangue Chileno, há muito selecionado por características funcionais. Em breve começam a nascer no Brasil, os filhos de Aniversario, em geral, mais leves, mais “mansos”, e com instinto “ganadero”. Estes fatos dão início a um grande debate, em relação a tal “Morfologia Funcional”.
Atentos a necessidade da seleção racial não só morfológica, mas também funcional, em Jaguarão, um grupo de Criadores “iluminados” começam a preparar a PRIMEIRA EXPOSIÇÃO FUNCIONAL DE JAGUARÃO, em 1978. A disputa ocorreu em duas provas de igual valor, a primeira chamada Morfologia, onde o animal é avaliado pelo selo racial, de acordo com o standard racial, e a segunda, Funcional, avaliado em um conjunto de movimentos associados ao trabalho do campo, nesta etapa, eram provas com e sem gado, onde eram avaliados aspectos como submissão, velocidade e aptidão vaqueira. Assim foi gerado o “embrião” do Freio de Ouro.
Para julgar esta Primeira Exposição, é convidado o criador de Uruguaiana Flavio Bastos Tellechea, um homem do cavalo, como se diz na fronteira, uma autoridade no assunto, julgando a cavalo. O criador, ao lado de seu irmão Roberto, do famoso sangue BT. No quarto ano de provas, Flavio resolve mudar de posição, e no lugar de jurado, passa a participar da prova com os cavalos BT, e ele mesmo apresentando alguns animais.
A III Exposição Funcional já mostra a importância que vinha adquirindo, tendo com visitante mais ilustre, o Presidente da República João Batista Figueiredo.
Estas provas formavam um acampamento, que se tornara uma “grande assembléia”, onde os aspectos e parâmetros da prova era discutidos paulatinamente. O modelo de avaliação era móvel, o único parâmetro fixo, era a pontuação, que foi decidido na II Exposição e segue assim até hoje, que é o peso da provas, sendo 10 pontos a Morfologia e 15 pontos a Funcional.
No outono de 1982 começam a “classificatórias” para a prova que ocorreria em Esteio, na Expointer, em homenagem aos 50 anos da ABCCC, o Freio de Ouro.
Na final em Esteio, 12 cavalos, em geral, todos entre os 3 e 5 anos, apresentados por seus domadores ou proprietários, entre eles o Flavio Bastos Tellechea, com BT Ópio, classificado em primeiro lugar, seguido de perto pelo Itaí, classificado de bocal, e enfrenado “as pressas” para final, com o domador Vilson Souza.
Nesta edição não tinha gado, as provas eram andadura, figura (rédeas), volta sobre patas, esbarrada, giro e escaramuça livre, esta última, uma prova onde o domador podia destacar habilidades de seu cavalo com movimentos livres.
Em 83, a prova foi chamada “Freio do Ano” – Roberto Bastos Tellechea, criador que havia falecido no ano anterior. E em 84, segue o nome de Roberto, e fixa-se o nome Freio de Ouro.
Por está época, nasce o primeiro regulamento funcional da ABCCC, reunidos na Estância Santa Úrsula, em Bagé, de Dirceu Dornelles Pons, o Ceceu como é mais conhecido, criadores e comissão técnica, em assembléia “a campo”, junto a peões e domadores, repetem os movimentos das provas, e definem critérios de avaliação.
Nesta época a prova já está consagrada! Criadores de toda parte passam a viver o “Mundo do Freio de Ouro”. A disputa cada vez mais acirrada! Prova a prova, ponto a ponto, a cada momento uma surpresa!
Em 90 começam as credenciadoras. São 14 no primeiro ano. Butiá Arunco, Freio de Ouro em 88, da mesma maneira que em 89, tenta o bicampeonato, nesta ocasião quem leva a melhor é o Nobre Tupambaé, irmão inteiro de Itaí, por sinal, o único irmão inteiro de um Freio de Ouro, a chegar ao Freio de Ouro, e o bicampeonato, tentado por Arunco e por tantos outros, este sim, segue “inatingível”, ao menos, até a última edição!
Em 93, mais um marco na história, BT Butiá chega à final do Freio de Ouro, tendo em seu treinamento a acessoria de Carlos Deleu, treinador paulista de Cavalos de Rédeas, o primeiro cavalo do Freio, com “Doma racional” ou Paulista. Mas o resultado só é alcançado no ano seguinte, BT Butiá, Freio de Ouro 1994.
Eduardo Azevedo, o Dado, em 96 também estuda com Deleu, e chega ao Freio de Ouro com Debochado do Quartel Mestre, seguido de perto por BT Balconero e BT Debret (Prata e Bronze), ambos com treinamento assessorado por Jango Salgado, paulista, e renomado mundialmente como treinador de rédeas.
O sucesso da prova cresce de forma exponencial, em 1996, já eram 60 finalistas, escolhidos em 32 credenciadoras, entre 691 animais, que ainda participaram de 8 semifinais regionais.
Por está época nasce a classificatória de Inéditos, prova voltada aos animais que nunca participaram de alguma edição do Freio de Ouro, e que classifica seus campeões a final do Freio de Ouro. Destas provas saíram os campeões de 97, BT Inteiro do Junco, 98, Campana Farrapo, 99 Consuelo do Infinito e no ano 2000, Reservada de Santa Edwiges. Campana Farrapo, filho de BT Brasão do Junco, é o único filho de um Freio de Ouro, a atingir o mesmo feito do pai, o mesmo Campana, também já foi Freio de Prata e Bronze.
Em 1998, a cabanha Santa Edwiges, atinge um feito único até hoje na raça, Freio de Ouro, Prata e Bronze nesta edição da prova. Ouro e Bronze nas éguas, com Punhalada e Pólvora de Santa Edwiges, e Prata nos cavalos, com Quero Quero. Junto a Cabanha Santa Edwiges, consagra também seu domador e treinador, Milton Castro, o “Alemão”, o maior campeão do Freio de Ouro até hoje!
Nestes anos todos, foram surgindo novos treinadores, algum proprietários, outros profissionais da doma! A renovação é constante e a necessidade de aperfeiçoamento e profissionalização dos mesmos, é cada vez maior! Em 2004, este fato é comprovado com a vitória de LS Balaqueiro, Freio de Ouro nos machos, apresentado por Gustavo Delabary, pupilo do Seu Vilson Souza, com o mesmo cavalo que o Vilson já havia beliscado uma final de Freio de Ouro, e ele estava lá, na arquibancada, torcendo pelo discípulo!
Em 2005, o Freio de Ouro dos Machos, vai para Largo da 3J, apresentado por Daniel Teixeira, que em outra ocasião, havia sido o ginete mais novo a participar de uma final de Freio de Ouro, aos 14 anos. Nas fêmeas, o Ouro vai para JÁ Xalalá, outra vez o “piloto” é o Alemão Milton Castro.
2006, o Freio de Ouro é vencido pelo ginete Zeca Macedo nos machos, com o Cavalo Ganadero da Harmonia, o mesmo ginete, chega ao ouro novamente em 2007 com Senhor de Santa Theresa, da Cabanha Capão da Lagoa, de Cidreira.
Nas fêmeas de 2006, BT Jovem guarda. Em 2007, mais uma vez Milton Castro, agora com Bonita de Santa Edwiges, “não tão bonita” quanto o nome, largou mal na parte morfológica, mas “voou baixo” como dizem, e levou o Ouro.
Em 2008, nas fêmeas, um prêmio mais que merecido, Claudio Fagundes leva Ouro e Prata para a cidade de Santiago, com uma parelha de gateadas da Itaó, para dar inveja! Infância e Jura do Itaó, duas éguas lindas e parecidíssimas, do criador Cássio Bonotto.
Nos machos, “a peleia é das brabas”. Largo da 3J, Ouro em 2005, desta vez leva o Bronze, Senhor de Santa Thereza, ouro em 2007 fica com a Prata, e o Ouro vai para Rodopio de São Pedro.
O que nos espera para edição de 2009? Cavalo bom tem de sobra! Este ano, além dos classificados nas regionais, entram direto na Final do Freio, os campeões do Freio de Ouro Internacional, o Freio da FICCC (Federação Interamericana de Criadores de Cavalos Crioulos), escolhidos este ano em Esteio, como publicamos na primeira edição do Jornal da Querência.
O Freio de Ouro da FICCC foi vencido por nada menos que o Ouro e Prata do Freio de Ouro, Senhor de Santa Thereza, desta vez montado por Daniel Teixeira. Será ele o primeiro BICAMPEÃO de um Freio de Ouro?
MV Henrique R. Noronha
Médico Veterinário
Apoio: Pampa Produtos Veterinários – Distribuidora Organnact Fitovet
Fontes consultadas:
Livro: Freio de Ouro, uma história a Cavalo, de Renato Dalto, Santa Maria, Palotti, 2006.
Sites: www.abccc.com.brwww.cavalocompleto.com.br
ARTIGO PUBLICADO NO "JORNAL DA QUERÊNCIA" edição 3.
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Nutrição de cavalo atleta
Como é do conhecimento de todos, o cavalo é um animal originalmente herbívoro, assim sendo, suas necessidades nutricionais deveriam ser totalmente supridas pela ingestão de volumosos, ou seja, pelo pasto verde. Porém, a mudança dos hábitos naturais dos eqüinos, forçado pelo manejo imposto pelas rotinas de treinamento e preparação esportiva, leva o cavalo a alterar seu metabolismo e suas necessidades nutricionais.
Naturalmente um cavalo adulto precisa de uma dieta que contenha de 8 a 12% de proteína, o que é facilmente obtido pelos hábitos variados de pastejo, porém algumas gramíneas podem não atingir este índice, necessitando assim da adição de leguminosas, como a alfafa, por exemplo, que pode conter de 13 a 23% de proteína. As necessidades proteicas são importantes no que tange o desenvolvimento e a conformação do animal, porém perdem sua importância com a chegada do animal a idade adulta.
Com o uso de volumosos de boa qualidade, as necessidades básicas do animal de esporte ou trabalho, são parcialmente supridas, porém, nestes casos, a necessidade energética está aumentada, necessitando assim ser suplementada. A suplementação energética pode ser feita através da adição de grãos com alto teor de energia, como o milho, por exemplo. Porém, os grãos nunca devem ultrapassar 50% do total da dieta do animal.
Com o avanço das pesquisas e desenvolvimento das indústrias de rações concentradas, estas relações podem ser mais facilmente ajustadas, pois os concentrados comerciais (rações) para animais de trabalho e esporte, aportam além dos grãos, outros suplementos energéticos como melaço ou outras fontes de açúcares.
Apesar de toda a ênfase dada ao aspecto energia, este item ocupa apenas a terceira posição em uma escala de importância na nutrição dos cavalos atletas, sendo precedida pela água e pelos eletrólitos (sais orgânicos), respectivamente.
Os cavalos podem perder toda a gordura e mais da metade da proteína existente em seu organismo, enquanto que uma perda de apenas 12 a 15% de água corpórea pode ser fatal. A perda de água em volumes menores resulta em fadiga, principalmente muscular, e performance esportiva insatisfatória. As necessidades de água podem ser facilmente supridas, deixando água a disposição dos animais, e fornecendo a mesma, de 60 a 90 minutos após a prática de esforços físicos, preferencialmente após a ingestão de pasto verde.
A perda dos sais orgânicos através do suor e da urina, também são responsáveis pela fadiga e fraqueza muscular, e ainda podem diminuir a resposta do centro da sede, acentuando o quadro de desidratação, e reduzindo a sede e o apetite do animal. Além deste quadro, a perda excessiva de substâncias como cálcio, podem levar a tremores, espasmos e tetanias musculares, o que normalmente chamamos de “tetania por estresse”. Estas perdas podem ser evitadas através do uso de composições comerciais contendo os principais sais perdidos durante o exercício.
Com relação as fontes de energia, elas podem ser carboidratos, proteínas ou gorduras, sendo ainda muito discutido, qual delas é a mais facilmente utilizada pelo animal. Sabe-se que a utilização de óleos vegetais, em doses de 100 a 1000ml por dia, podem ser muito benéficas, tanto para a aparência (brilho de pelo), como para disponibilidade de energia. Além disso, existe uma grande quantidade de suplementos comerciais com a finalidade de aumentar a disponibilidade de energia, normalmente com fonte nos açúcares (frutose, glicose, dextrose) e aminoácidos (proteínas).
Os uso destes suplementos é de extrema importância devido as fortes rotinas de treinamento e competição impostas aos animais, porém, isto deve ser feito com muito critério, e sempre com o acompanhamento de um Médico Veterinário, a fim de definir que tipo de suplemento é o mais adequado para cada animal em cada fase e/ou situação de treinamento, idade ou tipo de atividade física realizada por este animal.
Médico Veterinário Henrique R. Noronha
CRMV RS 09144
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BANBEIRA OU MIELOENCEFALITE POR PROTOZOÁRIO (MEP)
“Mieloencefalite eqüina por protozoário (MEP) é uma doença neurológica, infecciosa e freqüentemente fatal de eqüinos”, conhecida também por “bambeira”. Estudos atuais demonstram como agente etiológico, um protozoário do gênero Sarcocystis, sendo hoje a espécie S. falcatula a responsável, diferente do que se acreditava há pouco tempo, onde a espécie responsável era a S. neuroma (RIET-CORREA, et al., 1998).
A MEP foi identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1964, mas hoje já se conhece sua difusão por todas as Américas, dando destaque aos EUA, Canadá, Panamá e Brasil. Só dez anos depois de sua descoberta, foi identificado um protozoário semelhante ao Toxoplasma, em cortes histopatológicos.
Alguns estudos descrevem que os animais acometidos clinicamente tinham em média 8 anos de idade.
A MEP é uma doença esporádica, de ocorrência ocasional como epidemia em áreas restritas. Infecciosa, mas não contagiosa, sendo os eqüinos hospedeiros acidentais e terminais.
O hospedeiro definitivo é o gambá (Didelphis virginiana) (Fenger et al.,1997; Dubey et al., 2000). Esporocistos de S. neurona foram recentemente isolados de gambás no Brasil (Didelphis albiventris) (Dubey al., 2001b). O hospedeiro intermediário natural não é conhecido (Dubey al., 2001a). Experimentalmente verificou-se que os gatos podem atuar como hospedeiro intermediário.
Extrapolando o que se sabe sobre o gênero Sarcocystis, acredita-se que o cavalo infesta-se através da ingestão de esporocistos infectantes eliminados nas fezes dos hospedeiros definitivos (predadores), que podem ainda ser carreados pelos hospedeiros intermediários como aves e insetos (presas). Porém com relação ao S. falcatula isso ainda é apenas especulação.
Os esporocistos excistam no intestino delgado do eqüino, liberando esporozóitas que penetram no revestimento intestinal e entram na corrente sanguínea. Estes parasitas parecem obter acesso ao SNC pela penetração direta da barreira hematoencefálica. Também pode ocorrer entrada passiva dentro dos leucócitos. Os parasitas se multiplicam dentro dos neurônios e leucocitos, resultando em morte celular.
O início dos sinais clínicos pode ser gradual, porém é mais típico que esses sejam sinais discretos na fase aguda, às vezes com progressão muito rápida.
As lesões de medula espinhal parecem ser mais freqüentes que as ocorrentes no cérebro e, portanto os sinais de apresentação mais comuns são atribuíveis à lesão medular. Estes sinais são ataxia progressiva, e ocasionalmente, claudicação mau definida e de longa duração. Como este distúrbio provoca a degeneração das substâncias cinzenta e branca, tanto a astenia como a atrofia muscular são achados importantes da forma espinhal da afecção. Na prática, nota-se dificulade de andar em linha reta, dificulade de apoio nos giros (spins), dando “impressão” de “tontura”.
Alguns autores ainda citam que nos casos em que as lesões ocorrem no cérebro, as conseqüências também podem ser variáveis, dependendo, em grande parte, do local e da extensão das alterações. Assim nervos cranianos individuais podem tornar-se afuncionais, resultando em incapacitações bem definidas. Um efeito relativamente comum são as lesões unilaterais, envolvendo as funções motoras do nervo trigêmeo, e acarretando em dramática atrofia dos músculos masseter, digástrico e temporal, o que chega a ser considerado um sinal patognomônico em regiões endêmicas.
Em termos de patologia, as lesões são restritas ao SNC, sendo mais freqüentes na medula espinhal do que no cérebro. Dentro da medula são mais freqüentes na substância branca. São lesões de extensões variáveis e consistem de áreas de amolecimento e alteração da cor (vermelha ou marrom-acinzentada) em virtude de necrose e hemorragia. Microscopicamente, observam-se malácia (necrose) e reação inflamatória (mielite, mieloencefalite) não supurativa. Em cerca de 50% dos casos, o microorganismo não é observado nas preparações histológicas rotineiras.
A detecção dos anticorpos contra S. falcatula no liquor e no soro, é o teste mais útil para o diagnóstico clínico definitivo. Porém, esse exame envolve técnicas especiais (“westernblot”, PCR), normalmente não disponíveis nos laboratórios de diagnóstico do país. O liquor pode ser coletado dos espaços atlanto-occipital ou lombossacral, sendo este último, o de eleição, pois na maioria dos casos de MEP, as lesões estão situadas caudalmente ao espaço atlanto-occipital (nuca, primeiras vértebras). Deve ser levado em conta que cavalos clinicamente sadios podem apresentar anticorpos contra S. falcatula no liquor.
O diagnóstico presuntivo baseado nos sinais clínicos e na resposta ao tratamento específico são um bom método diagnóstico.
A MEP pode ser inicialmente confundida com outras enfermidades neurológicas dos equinos, daí a importância dos diagnósticos diferenciais, com traumas encefálicos, traumas medulares, mielopatia cervical estenótica, doença do neurônio motor, otite média/interna, mielite equina por herpesvírus, entre outras.
O tratamento consiste no uso de formulações comerciais orais, líquidas de sulfadiazina e pirimetamina, comercialmente preparada, na dose recomendada, uma vez ao dia. E ainda, uma segunda dose de sulfadiazina oral 12 horas mais tarde, tem sido recomendada, porém, sem comprovação da real eficácia. Nas duas situações o tratamento deve ser continuado por pelo menos 1 mês após o desaparecimento dos sinais. A média de duração deste tratamento está em torno de 4 meses.
Alguns autores indicam o uso de antiinflamatórios não esteroidais nas primeiras 1-2 semanas de tratamento e em qualquer momento que a condição possa piorar o quadro agudo do animal. A flunixin meglumine 2 vezes ao dia, é a mais recomendada, assim como a fenilbutazona, uma vez ao dia. O uso de corticóides deve ser evitado ao máximo devido aos efeito da imunodepressão.
Brow e Bertone (2005) cita como medicamento alternativo o diclazuril e toltrazuril de 5-10mg/kg, via oral, 1 vez ao dia, durante 28 dias, onde diversos testes os têm mostrado como muito eficientes, principalmente no que diz respeito às recidivas. Tornando-se hoje, o medicamento mais utilizado nestas situações.
Medidas como acompanhamentos periódicos, cama de maravalha com mais de 40 centímetros de altura, são recomendadas por todos os autores que foram revistos.
Henrique Noronha
Médico Veterinário – CRMV RS 09144
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ARTRITE TRAUMÁTICA
Artrite é um termo que define de forma básica qualquer processo inflamatório que atinge articulações. Isto pode ocorrer nas estruturas que compõe as articulações de forma isolada ou em conjunto. A artrite serosa ou traumática tem origem em traumas como coices ou pancadas em obstáculos durante o salto, ou ainda traumas indiretos decorrentes de má conformação dos membros que acabam acarretando em sobrecarga das estruturas articulares.
A artrite traumática inclui uma série de episódios únicos ou repetidos de trauma, podendo incluir quadros de sinovite (inflamação da membrana sinovial), capsulite (inflamação da cápsula articular fibrosa), torção (danos ao ligamentos específicos associados a articulação), fraturas intra-articulares e ainda rompimento dos meniscos (articulações femoro-tibiais).
Dividi-se as artrites traumáticas em três tipos, para facilitar o entendimento das causas e tratamento, são elas: “Tipo 1- sinovite e capsulite traumáticas sem distúrbios nas cartilagens articulares ou rompimento das estruturas de apoio principais. Tipo 2- trauma com rompimento e danos à cartilagens articulares ou ruptura completa das estruturas de apoio principais. Tipo 3- osteoartrite pós-traumática, onde há grande dano tecidual” (Stashak, 1994).
Neste artigo trataremos com mais detalhes apenas a sinovite e capsulite traumática de tipo 1.
A sinovite e capsulite traumáticas podem ocorrer como resultado de episódios únicos ou múltiplos de trauma a uma articulação. A situação clínica mais comum ocorre nas articulações do carpo ou boleto dos cavalos jovens.
Os traumas continuados ou repetidos (traumas de utilização), não são um fato isolado, mas um conceito etiológico central dos problemas de carpo e boleto. As corridas provocam estresse repetido nos tecidos duros e moles da articulação, um condicionamento inadequado leva a fadiga precoce e superextensão do carpo.
A seqüência dos eventos que acarretam as lesões de boleto é incerta, porém, é provável que a efusão sinovial em associação com a sinovite ocorra inicialmente, resultando em um problema menor. Se o problema não for reconhecido, sob um treinamento contínuo, ocorre o espessamento da cápsula articular fibrosa e as alterações degenerativas progridem.
A carpite se apresenta com uma claudicação evidente e encurtamento da fase cranial do passo devido à diminuição da flexão do carpo. Pode ocorrer um inchaço variável na cápsula articular e tecidos periarticulares e ainda, há uma tendência do cavalo manter o carpo ligeiramente flexionado, quando em estação.
A pressão digital na articulação pode causar dor, e a flexão do carpo pode ser utilizada para definir o enrijecimento da articulação e o grau de dor.
Animais com sinovite-capsulite na articulação metacarpofalangeana movem-se com andar entrecortado, se estiver afetado bilateralmente, se apenas um membro estiver afetado, o cavalo apresentará uma claudicação evidente nesse membro.
É recomendado o uso de radiografia para determinar se há crescimento de substâncias ósseas e para avaliar a sua relação com as superfícies articulares. Os casos em estágio inicial não apresentam alterações radiográficas.
O diagnóstico da carpite é considerado simples, com base nos sintomas descritos anteriormente, todavia, a radiografia é importante para eliminar as fraturas intra-articulares, bem como para avaliar outras possíveis alterações patológicas.
Em relação ao tratamento, as possibilidades são diversas e podem servir para cura ou apenas para proporcionar condições mínimas do animal realizar determinado exercício. O repouso e a imobilização são de grande utilidade nos casos agudos da inflamação e lesão capsular, porém a “industria do cavalo”, freqüentemente, impede o uso adequado desta técnica, que em muitos casos permitiria uma recuperação completa.
De qualquer forma, o repouso ou imobilização devem permitir flexões passivas, a fim de evitar atrofia muscular ou formação de adesões no interior da articulação. Ainda recomenda-se hidroterapia fria ou gelo, principalmente em casos agudos.
Os corticosteróides intra-articulares são largamente utilizados nestas situações. Seu uso é justificado por serem os antiinflamatórios de maior potência disponíveis, e que auxiliam na volta da membrana sinovial ao seu estado normal, além de reduzir o nível de subprodutos da inflamação nocivas à articulação. Os sintomas da inflamação diminuem de forma muito marcada, logo após a aplicação destes corticosteróides intra-articulares.
Estudos em coelhos mostram que as injeções de corticóides tem efeito nocivo aos condrócitos e ainda ocorre a depleção das glicosaminoglicanas da cartilagem articular. Ainda foi demonstrado uma diminuição da elasticidade e no conteúdo de glicosaminoglicanas. Porém, estudos realizados em humanos e eqüinos têm enfatizado que os efeitos negativos dos corticóides, na síntese de proteinoglicanas, são mais que compensados pelos outros efeitos favoráveis, inibindo a quebra das proteinoglicanas, induzidas por enzimas lisossomais e prostaglandinas.
O uso de corticosteróides intraarticulares foi considerado controverso, e condenado por diversos autores, porém Stashak (2003) cita novos estudos, onde os corticosteróides intraarticulares mostram-se recomendados, em algumas lesões articulares, pois seus efeitos maléficos, como a depleção dos condrócitos por exemplo, são expressivamente menores que seus benefícios, como a grande potência na inibição da atividade das células inflamatórias, incluindo neutrófilos, monócitos e macrófagos.
O mesmo autor cita que baixas doses de corticosteróides afetam a fagocitose dos neutrófilos, a estabilidade da membrana lisossomal, inibição de enzimas, inibição da produção de prostaglandina e ainda afetam as atividades específicas de algumas proteinases.
Stashak (2003) ainda descreve estudos realizados em humanos, onde, verificou-se que a expressão de RNA mensageiro para colagenase e o escore histológico de inflamação foram diminuídos após a administração de Triancinolona na articulação, mas o corticosteróide não suprimiu as atividades da estromilisina, que ativa as células sinoviais de eqüinos, in vitro.
O mesmo autor ainda relata que a perda progressiva de proteinoglicanas, colágeno e síntese de proteínas só foram observados em aplicações de altas dosagens de corticosteróides, por períodos superiores a doze semanas.
O hialuronato de sódio mostrou grande vantagem em seu uso sobre os corticóides puros. Foi demonstrado que o ácido hialurônico age como um lubrificante por contigüidade das membranas sinoviais e também foi proposto que ele influencia a composição do líquido sinovial por interferência espacial.
Henrique Noronha
Médico Veterinário CRMV RS 09144
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quarta-feira, 22 de julho de 2009
SUPLEMENTOS PROTÉICOS (AMINOÁCIDOS) PARA EQUINOS
As proteínas são compostos formados por combinações de Aminoácidos diversos, como se os Aminoácidos fossem as letras do alfabeto, e as proteínas, as palavras. Em geral, as proteínas são compostas por 22 Aminoácidos diferentes. Todos eles são necessários para a síntese das proteínas corporais, porém alguns podem ser produzidos no próprio organismo, os chamados NÃO ESSENCIAIS, em quanto outros devem ser suplementados ou sintetizados por microorganismos do Trato Intestinal, os chamados ESSENCIAIS ou INDISPENSÁVEIS. As proteínas ricas em Aminoácidos essenciais são chamadas de proteínas de ALTA QUALIDADE. Os Aminoácidos essenciais são Lisina, Metionina, Treonina e Triptofano.
Os alimentos de boa qualidade, normalmente oferecidos aos eqüinos, junto a atividade microbiana do Intestino Grosso (ceco e cólon), proporcionam uma quantidade geralmente, suficiente de Aminoácidos para preencher as exigências dietéticas do eqüino em manutenção, porém isso pode não ocorrer em animais em lactação ou crescimento, bem como em atividades físicas, mesmo quando moderadas.
A quantidade de proteína exigida na dieta depende das exigências individuais do eqüino, como peso, fase de vida e exercícios, da qualidade da proteína disponível, como digeribilidade, quantidade de Aminoácidos Essenciais e da quantidade de ração e forragem disponibilizados. As exigências protéicas dos eqüinos, também variam de acordo com as exigências energéticas e teor energético da dieta, pois este item é um importante limitante de ingesta.
As proteínas dos grãos (ração) ou suplementos, em geral, são digeridas e absorvidas no Intestino Delgado, onde ocorre a absorção da maioria dos nutrientes, exceto a água, já as proteínas de forragens (pastos e fenos) são digeridas e absorvidas (em parte) no Intestino Grosso. Como média, as proteínas disponibilizadas aos eqüinos, possuem de 45 a 85% de digeribilidade, sendo as mais baixas, proteínas com origem em forragem, e as demais, provenientes dos grãos.
Ao contrário do que se acreditava, as exigências protéicas aumentam proporcionalmente ao aumento de atividades físicas. Este aumento ocorre por três fatores básicos, aumento do desenvolvimento de massa muscular com aumento de condição física (o mais importante), aumento de teor protéico muscular (força de contração e desgaste) e perda de nitrogênio no suor, embora as perdas de nitrogênio, diminuam com a melhoria do condicionamento físico, bem como o suor.
A quantidade e qualidade da proteína são ainda mais importantes no crescimento, ou seja, do desmame até os dois anos. Os eqüinos jovens exigem uma quantidade superior de lisina que a disponível na maioria dos alimentos tradicionais. Os Aminoácidos Metionina e Triptofano, também são normalmente mais baixos que o necessário nesta fase da vida. E ainda, no caso de potros criados somente em pastagem, e possível uma deficiência do Aminoácido Treonina. Sem dúvida, a Lisina é o principal Aminoácido do crescimento, porém, a limitação de qualquer Aminoácido Essencial, diminui a capacidade do animal, de aproveitar os demais Aminoácidos.
Na caso de éguas gestantes e lactantes, os Aminoácidos Lisina e Metionina são de extrema importância para o desenvolvimento dos potros, dos três últimos meses de gestação até os seis primeiros meses de vida (lactação).
Em casos de excesso protéico na dieta, o nitrogênio (amônia) é removido dos Aminoácidos que formam a proteína, e o restante dos Aminoácidos é usado para energia, caso não seja necessário energia no momento, este excesso é armazenado como gordura ou glicogênio, para uso posterior. A amônia é convertida em uréia, pelo fígado, e este excesso de uréia é excretado na urina. Quanto mais proteínas ingeridas acima das exigências, maior será o fluxo sanguíneo nos rins, mas isso, ao contrário dos humanos, não causa qualquer prejuízo à saúde dos eqüinos, desde que a ingesta de água seja regular.
O uso de prebióticos e probióticos, regularmente na suplementação de eqüinos, potencializam a digeribilidade das proteínas, principalmente de forragens, e estimulam a atividade microbiana do Intestino Grosso, assim, a síntese de proteínas microbianas é aumentada significativamente. Além deste fator, o uso de culturas levedurais (Saccharomyces cerevisiae), que são os pre e os probióticos, aumentam a concentração plasmática dos triglicerídeos, o que resulta na melhor utilização da gordura corporal. Em experimentos científicos, após quatro semanas de uso de probióticos, a concentração de hemoglobina pós exercício estava mais alta, em quanto o lactato e a freqüência cardíaca estavam diminuídas, isto significa que os animais apresentavam-se melhor condicionados fisicamente, e tiveram menor desgaste físico durante o exercício.
Suplementos como o ORGANNACT MUSLCE HORSE tem exatamente este objetivo, possui um quantidade ímpar de leveduras, e uma concentração perfeitamente equilibrada de diversos Aminoácidos imprescindíveis ao exercício e ao desenvolvimento de massa muscular, entre eles, os quatro Aminoácidos Essenciais. Além do desenvolvimento de massa muscular, o Aminoácido Triptofano, presente em alta concentração no ORGANNACT MUSCLE HORSE, é precursor de uma substância chamada Serotonina, que é conhecida em humanos como estimulante do “bom humor”, e que nos eqüinos induz um temperamento mais dócil e tranqüilo, sem afetar o desempenho atlético.
Henrique R. Noronha
Médico Veterinário CRMV RS 09144
Clínica e Nutrição de Eqüinos
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REIKI E EQUINOS
Reiki é sistema milenar de cura Tibetano que se vale dos recursos energéticos universais, no qual se alcança um estado de Paz, Harmonia e saúde plena.
A Energia Vital (Universal ou Cósmica) é transmitida através do terapeuta Reikiano, que em sua formação nesta área, tem seus Chakras Coronário, Cardíaco e das mãos, ativados, possibilitando captar a energia Cósmica com grande intensidade, irradiando-a pelas mãos ao paciente, revitalizando todo seu corpo, otimizando suas funções orgânicas, e eliminando estresse, tensão, dores, processos inflamatórios, acelerando a regeneração celular em ferimentos, cirurgias e fraturas.
Sabe-se do Reiki por volta de 1800, através do Dr. Mikao Usui, na Universidade de Kioto, no Japão. Pesquisador na China, Universidade de Chicago nos USA, entre tantos outros países, sempre em busca de explicações sobre as “curas milagrosas”, ou como alguns preferem, como “Jesus curava”.
A tradução não literal da palavra Reiki quer dizer: REI a “Mais alta inteligência (espiritualidade)” e KI, energia física que animais tudo que é vivo.
O Reiki em animais utiliza as mesmas técnicas que são utilizadas em humanos, as mesmas posições dos Chakras, diferenciando-se principalmente pela postura de quem recebe, e pelo tempo de aplicação, pois nas primeiras sessões de Reiki, os animais tendem ficar inquietos, o que muda bruscamente após a terceira ou quarta aplicação, onde os animais passam a seguir o terapeuta e esperar o tratamento.
Em pequenos animais, isso fica evidente, quando cães ou gatos chegam a postar a cabeça entre as mãos do terapeuta, ou eqüinos, que mesmo soltos param na frente do terapeuta Reikiano como a esperar “algo”.
Em eqüinos, apesar o uso de Reiki ser algo muito recente, e considerado “experimental” ainda, os resultados são excelentes! Tem sido utilizado nas mais diversas situações que a clínica de eqüinos, principalmente atletas, nos impõe no dia a dia.
Cavalos de temperamento difícil, agressivos, nervosos, agitados em excesso, tendem a exigir bastante atenção do terapeuta Reikiano, até por que, em alguns casos, não é possível nem mesmo, tocar no animal nas primeiras sessões. Os períodos de tratamento são extremamente variáveis, mas em geral, tem se atingido o sucesso após a décima sessão, onde os animais passam a ser mais receptivos ao tratamento, e já demonstram “entender” o que se passa, e aceitar a presença do terapeuta. A partir deste ponto, a mudança no temperamento é vista a “grossos” olhos, notam-se os animais calmos, alguns até ganhando mais peso, melhorando a pelagem e a “expressão facial”.
Outra situação normal do dia a dia dos cavalos atletas são as dores musculares e articulares, onde o Reiki tem mostrado grandes resultados tanto na prevenção como a redução da dor. Sabendo-se do efeito regenerador do Reiki, é possível entender o que ocorre. A recuperação dos animais usando os tratamentos alopáticos convencionais, comparado aos animais usando estes mesmos tratamentos junto ao Reiki, é extremamente grande, o que deixa claro, a sua função, sem excluir os medicamentos ou terapias convencionais.
Em casos de cólicas ou outros distúrbios do trato gastro-intestinal, o Reiki é um excelente auxiliar no alívio da dor, que normalmente, é extremamente grave nestas situações, bem como na recuperação de cirurgias, evitando algumas seqüelas que são comuns após estes procedimentos! Há citações até mesmo de cura de cólicas complexas, por torção, onde o Reiki foi utilizado junto a terapia alopática, porém sem cirurgia.
Vale salientar, que o Reiki em animais ainda é muito novo, e por tanto exige muito estudo e prática de quem aplica. Também é importante que a pessoa que aplica o Reiki, seja um Médico Veterinário de formação convencional e Terapeuta Reikiano, para que possa identificar claramente os problemas a serem tratados, bem como, se a situação, de fato, é indicada para o uso do Reiki!
Henrique Noronha
Medico veterinário CRMS RS 09144
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terça-feira, 21 de julho de 2009
CAVALGADA DO LITORAL 2009
25ª CAVALGADA DO LITORAL – ANO 2009
Encerrou no sábado, dia 21 de fevereiro, a 25º edição da Cavalgada do Litoral na localidade de Granja Vargas em Palmares do Sul.
A Cavalgada, organizada pelo Sr. Vilmar Romeira, saiu da cidade do Torres no dia 13 de fevereiro, com destino a Palmares do Sul, contando com a participação de mais de 3500 cavaleiros e mais de 3000 pessoas de apoio, fazendo um percurso aproximadamente 200 km em oito dias, pelas praias do litoral norte do Rio Grande do Sul.
A concentração da Cavalgada foi no Parque do Balonismo em Torres, onde os Piquetes e CTG´s foram recebidos pelo “Piquete de Comando” da Cavalgada, Governo do Estado, a Secretária de Cultura Monica Leal, o Prefeito de Torres, e diversas outras autoridades e personalidades do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
A imprensa estava com forte presença na 25ª Cavalgada do Litoral com a cobertura de diversas televisões, jornais, revistas e rádios. O destaque ficou para o apresentador Lairton Pinheiro, o Marreka, da Radio Rural AM1120 do Grupo RBS, que acompanhou o percurso montado em uma mula chamada Brigitte.
De Torres a Cavalgada partiu as 7:30h para praia de Arroio do Sal, em um ótimo acampamento, com excelente recepção dos veranistas. Este foi o maior e mais difícil trecho do percurso. O clima estava ensolarado e a temperatura alta, já indicando, como seriam os próximos dias. A chegada em Arroio do Sal ocorreu por volta das 15:30h.
No domingo, no mesmo horário, a Cavalgada partiu de Arroio do Sal, com destino ao CTG João Sobrinho, na Praia do Barco em Capão da Canoa, com o clima semelhante ao dia anterior. A estrutura oferecida aos participantes, pelo CTG João Sobrinho e a prefeitura de Capão da Canoa, estava excelente. Muita sombra, água a vontade e uma paisagem fantástica junto a lagoa.
Deixamos Capão da Canoa com destinos a Santa Terezinha, na praia de Imbé na segunda-feira, onde permanecemos por dois dias, descansando. A organização local recebeu a Cavalgada com um ótimo rodeio, com tiros de laço e gineteadas e ainda o lançamento do CD e DVD do festival “O Rio Grande canta o Cooperativismo” edição 2008, que tem a finalidade de promover os valores e princípios do cooperativismo. No palco do Festival estiveram diversos cantores consagrados no meio tradicionalista como João de Almeida Neto, Jairo Lambari Fernandes, Cristiano Quevedo, Angelo Franco, Shana Muller, Pirisca Grecco, Robledo Martins e diversos outros.
De Imbé, a Cavalgada partiu para a praia de Tramandaí, onde foi recebida no antigo Terminal Turístico, com péssima estrutura. A prefeitura de Tramandaí, mais uma vez deixou a desejar. Entre os problemas mais graves do local estavam o acumulo de lixo nos locais destinados aos acampamentos, segurança dos acampamentos e dos animais, e falta de luz e água. Para terminar, o show local que foi oferecido aos participantes, não condizia com a grandeza e com os propósitos do evento, de divulgar as tradições e costumes gaúchos.
Já na quinta-feira Cavalgada partiu para Cidreira, onde foi recebida no Terminal Turístico, com excelentes shows tradicionalistas. A dificuldade deste percurso foi a chuva, que pegou muitos cavalarianos desprevinidos e sem capas de chuva. A esta altura da cavalgada já era possível observar que número de “desistências” não era baixo. Já não se encontravam alguns piquetes, e diversos cavaleiros, traziam cavalos a cabresto (puxados, sem ninguém montado).
Na sexta-feira feira, a Cavalgada deixou Cidreira com destino a Dunas Altas, a ultima parada antes de chegar para o encerramento na granja Vargas em Palmares do Sul. Já em clima de final de festa.
Viamão esteve representado por diversos Piquetes e CTG´s, durante esta edição da Cavalgada. O destaque ficou com o CTG Armada Grande, entidade tradicional na cidade, e que pela primeira vez, foi representada na Cavalgada do Litoral. O piquete do CTG Armada Grande contou com sete participantes a cavalo e mais uma equipe de apoio, que se encarregou de organizar os acampamentos e as refeições da gauchada.
Junto ao piquete do CTG Armada Grande, estava, João Paulo Pacheco dos Reis, aos 68 anos de idade, consagrado Tradicionalista viamonense, fundador e diversas vezes Patrão desta entidade, sempre muito ativo junto a UTV (União Tradicionalista de Viamão) e a 1ª Região Tradicionalista.
No trajeto entre Imbé e Tramandaí, o CTG Armada Grande marcou a presença com algo inédito nesta cavalgada. Durante todo o percurso, três gaiteiros se encarregaram da animação da gauchada, tocando gaita ponto a cavalo, entre eles, o consagrado músico e compositor viamonense Jairo Terra.
O ano que vem tem mais, desta vez, começa em Palmares do Sul e percorre o litoral até chegar a Torres. E nós estaremos lá!
Henrique Noronha
Médico Veterinário
henriquenoronha@pop.com.br
ARTIG PUBLICADO NA "REVISTA VIAMÃO" EM MARÇO DE 2009
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Gaúchos e Cavalos
O cavalo e o Gaúcho
“... E eu me orgulho – vos digo com franqueza,
Pois quem não sente orgulho pelo pingo
Não nasceu nestes pagos, com certeza!”
(Vargas Neto)
Não há história neste Estado, que não se fale em cavalo! Mouros, Zainos, ou Rosilhos, em cada capítulo, há sempre um gaúcho a Cavalo!
O Gaúcho a pé, é um assunto “moderno”. Aconteceu com chegada dos Imigrantes, principalmente Italianos e Alemães, povos ligados a terra, lavoureiros de procedência. Não menos gaúchos, nem menos importantes, pelo contrário, em quanto as guerras se faziam em lanças e cargas de cavalarias, eles abasteciam os celeiros na guerra do dia a dia com enxadas e carretas!
Não se sabe bem ao certo como o cavalo chegou por aqui! Fernando O. Assunção, no livro El Gaucho, cita um documento do dia 23 de maio de 1493, em Barcelona, em que os Reis Católicos Isabel e Fernando, ordenam a D. Pedro de Mendoza, o envio de 25 Cavalos e Cavaleiros para a América, e ainda cinco cavalgaduras de reserva, e que estas cinco sejam éguas.
Em 1768, quando os jesuítas foram expulsos, só na região das Missões existia perto de duzentos mil cavalos, mesmo depois dos rebanhos terem sido saqueados pelos índios infiéis que iam até as proximidades dos “Povos” fazer grandes arrebanhamentos para vender aos portugueses. Esta enorme quantidade de cavalos não se explica apenas com estes 30 cavalos trazidos por D. Pedro de Mendoza, visto que as éguas dão apenas uma cria por ano, e destes trinta cavalos, provavelmente apenas os 5 reservas eram éguas, pois para as Cavalarias, se preferiam os Garanhões!
O mesmo Fernando O. Assunção cita que este crescimento populacional exponencial, teve a participação de índios chilenos que trouxeram cavalos “transandinos” dos vales andinos, também de origem Espanhola, e que estes se multiplicaram nas planícies da Pampa Gaucha (Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul).
Se não sabemos como chegaram ao certo, ao menos imaginamos como se desenvolveram! Vastas planícies, campo de sobra para as manadas em desenvolvimento, para com o auxilio da Natureza, forjar o sangue rude e guapo dos Crioulos gaúchos de pura cepa Riograndense, como os “Mouros de Ferro” de D. Martins, alusão aos cavalos “Marca de fisga” das Cabanhas Cinco Salsos de Bagé e Aceguá e La Invernada, do Uruguai, onde predominam as pelagens Moura e Rosilha, e em sua principal característica, a Resistência interminável!
Lá por 1600, aproximadamente, me parece que alguns índios já começavam a desenvolver técnicas para amansar e domar estes cavalos, então “selvagens” para as suas montarias, já que o conflito com os colonizadores era inevitável! Hoje muito se fala em doma racional, “encantadores de cavalos”, açúcar no lugar do chicote, mas os índios já nesta época entendiam de tudo isso!
Domavam de acordo com a natureza de cada individuo, sem bocal nem rédeas, o comando era dado apenas com as pernas e alguns sinais sonoros. O cavalo do índio da Pampa Gaucha, aprendia a galopear boleado (maneado por boleadeiras), galopear com a cabeça tapada, galopear em campos acidentados, banhados, charcos e tacurus, bem como cruzar rio cheio com o índio agarrado a cola, saltar obstáculos ou mesmo permanecer imóvel, por horas a fio, aguardando momento certo para alguma ação!
Talvez daí trazemos esta ligação com o cavalo! Não há povo mais identificado com a figura do Centauro, que o Gaúcho! Nascemos, crescemos e desaparecemos a Cavalo. Ah! Vida perfeita! Arrisco até dizer que por aqui, o cachorro é o segundo melhor amigo do homem, por que o primeiro há de ser o cavalo! Ao menos do homem gaúcho!
O Poeta Guilherme Schultz Filho, em seus versos “Retrato da alma Gaúcha”, expressou de melhor maneira impossível, a importância do cavalo em cada fase da vida do Gaúcho:
“...Em cada ronda da vida
eu tive um pingo de lei...”
Quando ele era menino, além de uma egüinha bragada da cor da alvorada, tinha um peticinho faceiro, overo, com o nome de Fantasia - o alimento de toda criança.
Quando moço:
“Era um ruano - ouro nas crinas!
festejado pelas chinas
que o chamavam “Sedutor”
Já adulto, escolheu um bagual “mouro fanfarrão”, que refletia a sua alma indomável:
“O meu cavalo de guerra, chamava-se "Liberdade"!
Chomico! Quanta saudade, me alvorota o coração!
Era um mouro fanfarrão, crioulo da própria marca
e eu ia como um monarca, na testa do esquadrão”.
Depois, com o passar dos anos, a experiência da velhice lhe fez escolher um picaço bom de trote:
”O cavalo que eu encilho
nesta quadra da existência,
dei-lhe o nome de - “Experiência”.
E o poeta encerra com os seguintes versos:
“E, assim, vou descambando. ao tranco e sem escarcéu...
Sempre tapeado o chapéu, por orgulho de gaúcho
e se Deus me permite o luxo, entro a cavalo no céu!”
O cavalo nos dá assunto pra escrever um jornal inteiro! Mas por que não deixar assuntos para as próximas edições?
Para encerrar, um verso do maior poeta gaucho!
... Tenho certeza no pealo / e laço de toda trança.
Desde os tempos de criança / sempre andei bem a cavalo,
Cacho atado a Cantagalo, / bem sentado no lombilho,
Isso vem de pai pra filho, / é balda da nossa gente
E sempre fui exigente / pra cavalhada que encilho!”
(Jayme Caetano Braun)
Henrique R. Noronha
Médico Veterinário
henriquenoronha@pop.com.br
ARTIG PUBICADO NO "JORNA DA QUERÊNCIA", EM JULHO DE 2009.
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
ARTRITE TRAUMÁTICA
Artrite é um termo que define de forma básica qualquer processo inflamatório que atinge articulações. Isto pode ocorrer nas estruturas que compõe as articulações de forma isolada ou em conjunto. A artrite serosa ou traumática tem origem em traumas como coices ou pancadas em obstáculos durante o salto, ou ainda traumas indiretos decorrentes de má conformação dos membros que acabam acarretando em sobrecarga das estruturas articulares.
A artrite traumática inclui uma série de episódios únicos ou repetidos de trauma, podendo incluir quadros de sinovite (inflamação da membrana sinovial), capsulite (inflamação da cápsula articular fibrosa), torção (danos ao ligamentos específicos associados a articulação), fraturas intra-articulares e ainda rompimento dos meniscos (articulações femoro-tibiais).
Dividi-se as artrites traumáticas em três tipos, para facilitar o entendimento das causas e tratamento, são elas: “Tipo 1- sinovite e capsulite traumáticas sem distúrbios nas cartilagens articulares ou rompimento das estruturas de apoio principais. Tipo 2- trauma com rompimento e danos à cartilagens articulares ou ruptura completa das estruturas de apoio principais. Tipo 3- osteoartrite pós-traumática, onde há grande dano tecidual” (Stashak, 1994).
Neste artigo trataremos com mais detalhes apenas a sinovite e capsulite traumática de tipo 1.
A sinovite e capsulite traumáticas podem ocorrer como resultado de episódios únicos ou múltiplos de trauma a uma articulação. A situação clínica mais comum ocorre nas articulações do carpo ou boleto dos cavalos jovens.
Os traumas continuados ou repetidos (traumas de utilização), não são um fato isolado, mas um conceito etiológico central dos problemas de carpo e boleto. As corridas provocam estresse repetido nos tecidos duros e moles da articulação, um condicionamento inadequado leva a fadiga precoce e superextensão do carpo.
A seqüência dos eventos que acarretam as lesões de boleto é incerta, porém, é provável que a efusão sinovial em associação com a sinovite ocorra inicialmente, resultando em um problema menor. Se o problema não for reconhecido, sob um treinamento contínuo, ocorre o espessamento da cápsula articular fibrosa e as alterações degenerativas progridem.
A carpite se apresenta com uma claudicação evidente e encurtamento da fase cranial do passo devido à diminuição da flexão do carpo. Pode ocorrer um inchaço variável na cápsula articular e tecidos periarticulares e ainda, há uma tendência do cavalo manter o carpo ligeiramente flexionado, quando em estação.
A pressão digital na articulação pode causar dor, e a flexão do carpo pode ser utilizada para definir o enrijecimento da articulação e o grau de dor.
Animais com sinovite-capsulite na articulação metacarpofalangeana movem-se com andar entrecortado, se estiver afetado bilateralmente, se apenas um membro estiver afetado, o cavalo apresentará uma claudicação evidente nesse membro.
É recomendado o uso de radiografia para determinar se há crescimento de substâncias ósseas e para avaliar a sua relação com as superfícies articulares. Os casos em estágio inicial não apresentam alterações radiográficas.
O diagnóstico da carpite é considerado simples, com base nos sintomas descritos anteriormente, todavia, a radiografia é importante para eliminar as fraturas intra-articulares, bem como para avaliar outras possíveis alterações patológicas.
Em relação ao tratamento, as possibilidades são diversas e podem servir para cura ou apenas para proporcionar condições mínimas do animal realizar determinado exercício. O repouso e a imobilização são de grande utilidade nos casos agudos da inflamação e lesão capsular, porém a “industria do cavalo”, freqüentemente, impede o uso adequado desta técnica, que em muitos casos permitiria uma recuperação completa.
De qualquer forma, o repouso ou imobilização devem permitir flexões passivas, a fim de evitar atrofia muscular ou formação de adesões no interior da articulação. Ainda recomenda-se hidroterapia fria ou gelo, principalmente em casos agudos.
Os corticosteróides intra-articulares são largamente utilizados nestas situações. Seu uso é justificado por serem os antiinflamatórios de maior potência disponíveis, e que auxiliam na volta da membrana sinovial ao seu estado normal, além de reduzir o nível de subprodutos da inflamação nocivas à articulação. Os sintomas da inflamação diminuem de forma muito marcada, logo após a aplicação destes corticosteróides intra-articulares.
Estudos em coelhos mostram que as injeções de corticóides tem efeito nocivo aos condrócitos e ainda ocorre a depleção das glicosaminoglicanas da cartilagem articular. Ainda foi demonstrado uma diminuição da elasticidade e no conteúdo de glicosaminoglicanas. Porém, estudos realizados em humanos e eqüinos têm enfatizado que os efeitos negativos dos corticóides, na síntese de proteinoglicanas, são mais que compensados pelos outros efeitos favoráveis, inibindo a quebra das proteinoglicanas, induzidas por enzimas lisossomais e prostaglandinas.
O uso de corticosteróides intraarticulares foi considerado controverso, e condenado por diversos autores, porém Stashak (2003) cita novos estudos, onde os corticosteróides intraarticulares mostram-se recomendados, em algumas lesões articulares, pois seus efeitos maléficos, como a depleção dos condrócitos por exemplo, são expressivamente menores que seus benefícios, como a grande potência na inibição da atividade das células inflamatórias, incluindo neutrófilos, monócitos e macrófagos.
O mesmo autor cita que baixas doses de corticosteróides afetam a fagocitose dos neutrófilos, a estabilidade da membrana lisossomal, inibição de enzimas, inibição da produção de prostaglandina e ainda afetam as atividades específicas de algumas proteinases.
Stashak (2003) ainda descreve estudos realizados em humanos, onde, verificou-se que a expressão de RNA mensageiro para colagenase e o escore histológico de inflamação foram diminuídos após a administração de Triancinolona na articulação, mas o corticosteróide não suprimiu as atividades da estromilisina, que ativa as células sinoviais de eqüinos, in vitro.
O mesmo autor ainda relata que a perda progressiva de proteinoglicanas, colágeno e síntese de proteínas só foram observados em aplicações de altas dosagens de corticosteróides, por períodos superiores a doze semanas.
O hialuronato de sódio mostrou grande vantagem em seu uso sobre os corticóides puros. Foi demonstrado que o ácido hialurônico age como um lubrificante por contigüidade das membranas sinoviais e também foi proposto que ele influencia a composição do líquido sinovial por interferência espacial.
Henrique Noronha
Médico Veterinário CRMV RS 09144
henrique@pampacomecial.com.br
Apoio:
Pampa Produtos Veterinários
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terça-feira, 24 de julho de 2007
LAMINITE
A laminite ou “aguamento”, como é popularmente conhecida, é um processo inflamatório que acomete o tecido laminar dos cascos, normalmente nos membros anteriores, mas podendo atingir os quatro membros ou mesmo apenas um membro. É uma das mais sérias e mais freqüentes perturbações músculoesqueléticas que acomentem o casco dos eqüinos.
A causa da laminite ainda não foi determinada, porém, diversos fatores de risco, que podem ser variáveis, produzem alterações isquêmicas nas lâminas dérmicas e no córion laminar do casco, que parecem ser o “start” para o aparecimento da doença em várias espécies domésticas. Estes fatores seriam, distúrbios do trato digestivo como “cólicas”, diarréias, alimentação com quantidade exagerada de grãos (ração), traumatismos associados a concussão excessiva dos cascos, excesso de trabalho, transporte ou ficar “em pé” por longo tempo, sendo também ligado ao tipo de solo (duro).
Uma das mais frequêntes causas, é a ingestão súbita de grande quantidade de alimentos densos, palatáveis e ricos em energia, tal como grãos de cereal (ração).
Teóricamente, a laminite é dividida em fase aguda e crônica, sendo a primeira fase a mais importante para um tratamento de sucesso, pois ainda não aconteceu a rotação da terceira falange (distal).
Os sintomas da laminite por grãos surgem normalmente de 12 a 18 horas após a ingestão dos grãos. Após este período, aparece a laminite, diarréia, toxemia, tremores musculares, aumento da pulsação e respiração, com uma elevação variável da temperatura.
A forma aguda da laminite caracteriza-se pelo aparecimento brusco dos sintomas, predominando os sinais de locomoção penosa e lenta devido a dor. Quando os dois membros anteriores estão afetados, o animal adota uma atitude característica com extensão dos anteriores, apoio em talão, avanço dos posteriores, deslocando o eixo de gravidade do corpo para trás, dando a impressão de que vai cair “sentado”.
A rotação da terceira falange é um dos principais problemas associados a laminite crônica. Após a necrose isquêmica, agrava-se o rebaixamento e a rotação da falange distal, que praticamente perde a relação de sustentação com o córium laminar. A falange distal sofre ação do tendão extensor digital comum, compressão da sola no sentido ventro-dorsal e tração de tendão flexor digital profundo, alterando sua relação de paralelismo com a muralha do casco.
O diagnóstico é relativamente simples, visto que a atitude típica do animal, a pulsação aumentada das artérias digitais, o calor no casco e a dor evidenciada pela pinça dos cascos, na fase aguda, fornecem provas adequadas de laminite. Já a laminite crônica é evidenciada pelas alterações características na pata e um andar típico. Em diversos casos, a causa é difícil de ser determinada. Seja qual for a situação, a laminite sempre deve ser considerada uma EMERGÊNCIA MÉDICA, sendo que o sucesso do tratamento está diretamente ligado ao tempo em que o tratamento foi iniciado, devendo ser sempre antes do inicio da rotação da terceira falange, nas primeiras 12 horas após o surgimento da claudicação.
Antiinflamatórios não esteróides são largamente utilizados, estes objetivam a eliminação da dor, o que constitui um importante estímulo simpático agravante da hipertensão, da formação de “shunts” arterio-venosos e da vasoconstrição podal.
Somado as terapias medicamentosas, recomenda-se o uso de equipamentos que venham a auxiliar na melhora da perfusão sanguínea do membro afetado e para impedir ou corrigir o rebaixamento e a rotação da falange distal, estes equipamentos são ferraduras em forma de coração, palmilhas de compressão de ranilha, ou ainda o gessamento de apoio dos membros.
Existe uma nova forma de tratamento auxiliar, que consiste na utilização de placas de isopor de alta densidade, onde uma placa com o tamanho aproximado do casco é colocada sob a sola e fixada com “silver-tape, fundindo um molde de impressão negativa. Esta porção deve ser recolocada, e uma nova placa como a primeira é colocada abaixo, e ambas fixadas com “silver-tape”. Esta segunda placa deve ser substituída de um a três dias, até que desapareçam os sinais de dor e possibilidades de rotação da terceira falange, o tempo de troca das placas deve ser determinado pelo estado de conservação em que se encontram e pela amortização da dor que devem proporcionar quando em bom estado.
Henrique R. Noronha
Médico Veterinário
Sócio diretor da Pampa Produtos Veterinários.
henrique@pampacomercial.com.br
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